Elmar Juan Passos Varjão Bomfim revela que, por muito tempo, sustentabilidade na engenharia foi tratada como custo adicional, um capítulo de boas intenções que encarecia a obra sem trazer retorno claro. Essa leitura envelheceu. Hoje, projetar de forma sustentável é, antes de tudo, uma decisão econômica e estratégica, e quem adia essa escolha tende a pagar mais caro depois.
O pano de fundo ajuda a explicar a urgência. A energia solar já superou R$ 300 bilhões em investimentos acumulados no Brasil e está presente em mais de 5 mil municípios, consolidando-se como uma das principais fontes da matriz elétrica do país. Ao mesmo tempo, o capital internacional passou a privilegiar mercados com credenciais verificáveis de descarbonização, e a matriz limpa brasileira virou um trunfo competitivo que poucos países conseguem replicar.
Some-se a isso o custo de adiar. Investir em engenharia sustentável deixou de ser uma aposta de longo prazo e passou a ter justificativas concretas no presente. A seguir, cinco delas, que ajudam a entender por que o momento pesa tanto na decisão.
A conta que se paga ao longo do tempo
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que a primeira razão é a mais direta: economia. Um projeto sustentável exige pensar melhor no início, mas devolve esse esforço em contas menores durante toda a vida útil da edificação. Eficiência energética, reaproveitamento de água, aproveitamento de luz natural e geração própria reduzem o custo operacional mês após mês, até que a diferença inicial se dilua e o investimento comece a render de fato.
Em instalações de grande consumo, como indústrias e centros de distribuição, essa lógica do ciclo de vida é ainda mais evidente. O gasto com energia e manutenção ao longo de décadas costuma superar, com folga, o valor da construção. Atacar esse custo na origem transforma o que parecia despesa em ativo, e é aí que a engenharia sustentável deixa de ser discurso para virar planilha.
O capital agora tem cor verde
A segunda razão está em quem financia. Bancos, fundos e investidores passaram a condicionar crédito e aportes a critérios ambientais, e projetos com bom desempenho nesse quesito acessam linhas mais baratas e prazos mais longos. Instrumentos como as debêntures verdes cresceram justamente para atender a essa demanda, abrindo caminho para obras que antes esbarravam no custo do dinheiro.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, explica que projetos que incorporam critérios de sustentabilidade desde a concepção tendem a encontrar um ambiente de financiamento mais favorável do que aqueles que tratam o tema como detalhe.
Por que esperar pela regulação saiu de moda?
A terceira razão é regulatória e tem tudo a ver com tempo. As regras ambientais só tendem a ficar mais rígidas, e quem projeta hoje pensando apenas no mínimo exigido corre o risco de entregar amanhã uma obra obsoleta. Antecipar-se a normas de eficiência, emissões e destinação de resíduos custa bem menos do que adaptar uma estrutura já pronta.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que, em vez de reagir à fiscalização, a engenharia sustentável trata a exigência futura como premissa de projeto. Isso evita o retrabalho caro, as multas previsíveis e o desgaste de uma adequação feita às pressas. Construir pensando na regra que ainda vai chegar é, no fim, uma forma de proteger o investimento contra a própria passagem do tempo.
A energia limpa deixou de ser promessa e virou infraestrutura
A quarta razão é energética. A geração solar abandonou o status de diferencial simbólico e se tornou parte da infraestrutura básica de quem consome muita energia. Telhados industriais, coberturas de estacionamento e áreas ociosas viraram usinas, e sistemas fotovoltaicos bem dimensionados encurtam o tempo de retorno do investimento a poucos anos.
Esse é um terreno, segundo Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, sobretudo na instalação de sistemas fotovoltaicos e na construção de centros de distribuição que já nascem preparados para gerar parte da própria energia. Incorporar essa capacidade durante o projeto, e não como remendo posterior, é o que separa uma obra eficiente de uma adaptação cara.
Construir sustentável é construir para durar
A quinta razão é a durabilidade. Eventos climáticos extremos, antes tratados como exceção, passaram a integrar o cálculo de risco de qualquer empreendimento. Projetar com materiais mais resistentes, drenagem adequada e estruturas pensadas para suportar enchentes, calor e ventos fortes reduz a chance de perdas e prolonga a vida útil da obra.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim pontua que a recuperação estrutural e o reaproveitamento de materiais, por sua vez, evitam demolições desnecessárias e o desperdício que elas carregam. Sustentabilidade, nesse sentido, é sinônimo de resiliência: uma obra que dura mais custa menos ao longo do tempo e pesa menos sobre o ambiente.
A engenharia que o Brasil vai precisar na próxima década
O país vive um raro alinhamento de incentivos. A matriz elétrica limpa, a pressão por descarbonização, o capital disposto a financiar projetos verdes e o custo crescente da energia converge para o mesmo ponto e torna a engenharia sustentável não uma opção nobre, mas a escolha mais racional. O setor que ainda hesita corre o risco de descobrir tarde demais que a alternativa saía bem mais cara. Os próximos anos devem consolidar essa virada, e a vantagem ficará com quem tratou a sustentabilidade como projeto, e não como verniz aplicado no fim.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

